Mini bio
 
Laura Freitas vive e trabalha em Niterói (RJ), é artista visual e mãe. Graduada em Educação Artística com formação em Arteterapia e piano, passou um longo período dedicado à área têxtil com produção de roupas autorais e pintura em tecido. Hoje, Laura tece com desenho, performance, escultura e vídeo. Alinhava, entre a ação e a construção de objetos, temas que envolvem os lugares do feminino, da sexualidade e do espaço íntimo, formando, assim, a trama de sua produção artística. Frequentou diversos cursos na EAV do Parque Lage ministrados por: João Carlos Goldberg, Iole de Freitas, Franz Manata, Ana Miguel, Brígida Baltar, Clarissa Diniz, Mariana Manhães. Realizou as exposições individuais: falo por um FIO, na Galeria Cândido Portinari da Uerj e Quando nascer (ou morrer) não é uma escolha, no Espaço cultural Correios Niterói (2019), ambas com curadoria de Fernanda Pequeno; e participou de exposições coletivas.

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SHORT BIO

Laura Freitas lives and works in Niterói (RJ), she is a visual artist and mother. She is graduated in Artistic Education with a degree in Art therapy and piano, and spent a long period dedicated to the textile area with production of copyrighted clothing and fabric painting. Today, Laura weaves with drawing, performance, sculpture and video. She aligns, between the action and the construction of objects, themes that involve the places of the feminine, sexuality and intimate space, thus forming the tapestry of her artistic production. She attended several courses at EAV do Parque Lage taught by: João Carlos Goldberg, Iole de Freitas, Franz Manata, Ana Miguel, Brígida Baltar, Clarissa Diniz, and Mariana Manhães. She has held individual exhibitions, such as Falo por um Fio, at Galeria Cândido Portinari da Uerj and Quando nascer (ou morrer) não é uma escolha, at Espaço Cultural Correios Niterói (2019), both curated by Fernanda Pequeno; and participated in collective exhibitions.
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DEPOIMENTO

Cresci numa casa habitada por molduras em que imagens de feridas e corações - como a do Sagrado Coração de Jesus e Maria - preenchiam a parede da sala. Aos meus olhos, as mulheres da família apresentavam um ar de sofrimento e rigidez, envolvidas por um silêncio refletido no corpo que se debruçava sobre o crochê, o bordado, a costura. Entre fios e tecidos, se ocupavam dos filhos, das tarefas da casa. Essa memória aparece hoje como o novelo que se desenrola em minha produção. A infância marcada por sacrifícios e obediência a um Deus patriarcal me desperta o interesse por investigar o lugar desse feminino velado. O que me leva também à explorar o lugar entre, as tensões entre dentro e fora, feminino e masculino, natureza e cultura, nascimento e morte. Lugar que se desdobra em transgressão e transbordamento: o do erotismo. Em falo por um Fio, penetrei em um desses ambientes-limite que expõem o avesso frágil de estruturas tidas como inabaláveis. Seguindo esse percurso, recolho os cacos espalhados pelo chão e costuro fendas abertas de outros tempos. Dar corpo ao que está por vir, ao que está prestes a transbordar.​​​​​​​
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STATEMENT
I grew up in a house inhabited by frames in which images of wounds and hearts - such as the Sacred Heart of Jesus and Mary - filled the walls of the living room. In my eyes, the women in the family presented an air of suffering and stiffness, surrounded by a silence reflected in the body that leaned over crochet, embroidery, and sewing. Between threads and fabrics, they took care of their children, the tasks of the house. This memory appears today as the yarn that disentangles in my production. The childhood marked by sacrifices and obedience to a patriarchal God arouses my interest in investigating the place of this veiled feminine. Which also leads me to explore the place between, the tensions between inside and outside, feminine and masculine, nature and culture, birth and death. A place that unfolds in transgression and overflow: that of eroticism. In Falo por um Fio, I penetrated into one of these boundary environments that expose the fragile inside out of structures taken as unwavering. Following this route, I collect the shards scattered on the floor and sew open cracks from other times. Giving body to what is to come, to what is about to overflow.